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POESIA 'FILATÉLICA'

A filatelia fez também parte da literatura brasileira. Aluízio Azevedo aludiu a ela em resposta a um pedido de selos do amigo Dr. Rodrigo Otávio, grande filatelista do início do século. Ei-la transcrita aqui:

Pedistes selos? pois selos
Tereis o que apetecerdes,
Encarnados, amarelos,
Azuis, roxos e verdes;

Tê-los-eis grandes, pequenos,
A fartar postos à escolha
Uns melhores, outros menos,
Uns velhos, outros em folha.

Mandar prefiro os antigos,
De velhos, cansados povos,
Pois os selos, como amigos,
Mais valem velhos que novos.

Tê-los-eis dos mais legítimos
Desde o tempo dos Henriques,
Em réis, centavos, cêntimos
Em shilings e peniques.

Tê-los-eis com vários bustos.
Tê-los-eis de vários anos,
De imperadores vetustos
E chefes republicanos.

Tê-los-eis de vários gostos
Firmados em línguas várias,
Mostrando diversos rostos
De personagens lendárias.

Rostos de moços e velhos,
Que humildes povos incensam,
E de importantes fedelhos
que já reinam e ainda não pensam;

De rainhas primitivas
Que a nós só constam da História
E de outras que estão bem vivas,
Como a grande Rainha Vitória;

De Colombo e sua roda,
De Santo Antônio e do Papa,
Pois, depois que o selo é moda
Já ninguém do selo escapa.

Apesar receio, amigo,
Que à força de mandar selos,
Fique eu doido e vós comigo
À força de recebê-los.

Filatelia: Lazer, cultura e investimento.